A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
K
L
M
N
O
P
Q
R
S
T
U
V
W
X
Y
Z



OS DISCÍPULOS DE MARIANO DE LIMA

Notável é a contribuição social trazida pela Escola de Artes e Indústrias de Mariano de Lima ao Paraná. Sem esquecer a contribuição de vários artistas e profissionais estrangeiros, deve-se reconhecer que dessa escola originam-se os maiores escultores atuantes no Estado na primeira metade do século XX, bem como que grande número de desenhistas de humor que recebem, paralelamente, orientação de Narciso Figueras. Essa área específica conhece uma fase de ouro de final do século XIX até a década de 1930, para renascer com toda pujança nos anos de 1970.

JOÃO ZACO PARANÁ – Discípulo de Mariano de Lima(Síntese da História da Arte no PR)

O grande biógrafo de Zaco Paraná é, sem dúvida, Edwino Donato Tempski, que, após meticulosa pesquisa, publica uma obra sobre o artista intitulada João Zaco Paraná, Estante Paranista (19), edição do Instituto Histórico Geográfico e Etnográfico Paranaense (1984) em homenagem ao primeiro centenário de nascimento do artista. Jan Zak, filho de Miguel e Pelágia Zak, nasce, segundo Tempski, em Berezhani, território polonês à época sob domínio da Áustria. Já o semanário polonês Zwit (em 15 de julho de 1922) esclarece que o artista teria nascido em Buszcs, perto de Berezhani, região oriental da Polônia, em 21 de setembro de 1884, versão esta que contraria a data oficial de seu nascimento, que teria ocorrido a 3 de julho. Em 1887, seus pais imigram para o Brasil, radicando-se no Paraná como lavradores. Instalam-se em um lote rural em Restinga Seca, entre Palmeira e Ponta Grossa. Como àquela época estava sendo construída uma ferrovia, Miguel emprega-se como turmeiro da estrada de ferro. Sendo também carpinteiro, constrói em sua casa uma oficina de carpintaria e serralheria, na qual, nas horas vagas, fabricava instrumentos para agricultura. Jan começa ajudando o pai. Como demonstra rara habilidade, Miguel convida-o a entalhar imagens de santos e decorar cuias, entre outras peças, que vendia na pequena Estação de Restinga Seca. François Gheur, engenheiro belga que trabalhava na ferrovia, descobre o talento do menino e obtém de seus pais permissão para trazê-lo a Curitiba, a fim de estudar. Segundo seu filho Gastão Gheur, Jan passa a residir com a sua família, como um filho adotivo. Com uma bolsa de estudos que obtém do governo do Estado do Paraná, não só se matricula na Escola de Artes e Indústrias, como também começa os estudos regulares em uma escola dirigida pela irmã de Paulo D’Assumpção, de nome Maria. Em gratidão ao Estado que o acolhera, ainda adolescente, Jan Zak muda seu nome para João Zaco Paraná. A seguir, embora prossiga seus estudos na Escola de Artes e Indústrias, transfere os estudos regulares para o Seminário Menor Arquidiocesano São José. Ainda com bolsa de estudos do governo paranaense, de 1901 a 1903 estuda na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Graças à tutela de outros engenheiros belgas que trabalhavam na ferrovia, como Afonso Solheid, e à permanência  da bolsa de estudos do governo do Paraná, transfere-se para a Academia Real de Belas Artes de Bruxelas, na Bélgica, onde estuda sob orientação de Charles Van der Stappen. Destacando-se como aluno brilhante, em 1908 ele obtém o primeiro prêmio na Seção de Escultura do Natural e Acessit na Seção de Composição de Escultura. Faz, então, curta viagem a New York, onde permanece por dez dias. Retornando a Bruxelas, em 1909 gradua-se com distinção pela Real Academia de Bruxelas, recebendo como prêmio especial a cessão, durante um ano, de um atelier na própria Academia, com todas as despesas pagas. Em 1910, profundamente abalado com o falecimento de seu professor Van der Stappen, retorna ao Brasil para rever familiares e amigos. Pensa em estabelecer-se em São Paulo, todavia resolve retornar à Europa no mesmo ano. Em 1912, entre cento e vinte concorrentes ao exame de admissão na Escola Superior de Belas Artes de Paris, obtém o terceiro lugar. Permanece na Cidade Luz por dez anos. Dá a Alcídio Mafra de Souza importante depoimento sobre essa época: ...valeu a pena estar lá naquela época. Conheci muita gente que depois se tornaria famosa: Soutine, Modigliani, Picasso, Gris, Brancusi, Chagall, Lipchitz, Van Dongen, os poloneses Meassis e Eugene Zak... Ah! Ainda havia o Fujita, japonês, e o Joaquim Torres Garcia uruguaio. É bom que se esclareça que muitas das pessoas que citei que se tornariam consagradas em função do que produziram, eu as conheci de vista, não tive contatos. Mas, de Bourdelle e Maillol, fui amigo. Retornando ao Brasil em 1922, fixa-se no Rio de Janeiro. Em comemoração ao primeiro centenário da Independência do Brasil, recebe várias encomendas. As mais conhecidas, no Rio de Janeiro, são os dois grandes blocos escultóricos Ordem e Prgresso, com cerca de quatro metros de altura, instalados na fachada do Palácio Tiradentes, Câmara dos Deputados da então Capital Federal. Ainda como homenagem da Colônia Polonesa à sua segunda pátria, Zaco executa o Semeador, escultura em bronze, com cerca de três metros de altura, solenemente inaugurada na praça Eufrásio Corrêa em Curitiba, em 15 de fevereiro de 1925. Obra vigorosa, extraordinária por sua força contida e pela profunda compreensão das raízes da alma do povo, possui a mesma potência de um Meunier. Rompendo a tradição das esculturas frontais, Zaco Paraná capta a sensação dinâmica do personagem que caminha enquanto joga as sementes à terra. Entre os artistas de sua época, inclusive seus amigos pessoais como Bourdelle e Maillol, pode-se afirmar que dentro do Naturalismo Zaco Paraná possui a sua mesma envergadura. Para homenagear os 300 anos de Curitiba, a Colônia Polonesa doa à cidade, em 1994, uma escultura em bronze, modelada a partir de um original em gesso, intitulada Maternidade, que, hoje, se encontra no Jardim Botânico. Com o mesmo vigor de um Ivan Mestrovic, modela um nu feminino que segura uma criança, no qual consegue expressar a essência do amor materno de todos os tempos. Fala tanto de sua própria mãe como de todas as mães do Universo. Novamente aqui, quebra a rigidez da frontalidade, fazendo com que o corpo da mãe se incline para beijar o filho. Em 1940, é nomeado por Gustavo Capanema professor interino de Modelagem na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1949, presta concurso para professor catedrático, defendendo a tese A Modelagem nas Artes do Desenho. Em 1953, é aposentado compulsoriamente. Falece em 10 de julho de 1961, sendo sepultado – segundo depoimento de Albano Agner de Carvalho – em cova rasa, numa vala comum, no Cemitério do Caju. O que espanta é que ninguém, nenhum órgão oficial tenha se preocupado em dar uma sepultura digna ao grande escultor João Zaco Paraná, que sacrifica a própria vida pela causa da arte.



Atualizado em - 24/03/2015 16:06:05
ALFREDO ANDERSEN, PAI DA PINTURA PARANAENSE – (Síntese da História da Arte no PR) ←
→ JOÃO TURIN – Discípulo de Mariano de Lima – (Síntese da História da Arte no PR)



Desenvolvido por Hospedagem por