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KOCH, Ricardo José (Ricardo Koch)

Sadowej Wisznia/Polônia, H 1900 – Curitiba/PR, = 1976.

Pintor e arte-educador. Gradua-se pela Faculdade de Belas Artes, junto à Escola Técnica Superior do Estado de Lwów/Polônia, em 1927, especializando-se em Engenharia em Viena/Áustria. Inicia suas atividades artísticas em seu país de origem, expondo em várias cidades. Em 1929, contratado pela Companhia Telefônica Rio Grandense como intendente de construção de uma rede subterrânea em Porto Alegre/RS, muda-se para o Brasil. Findo o contrato, em 1933, acompanhado de sua esposa – Emma Koch – aceita o convite para dirigir uma escola, na cidade de Rio Grande/RG, mantida pela Sociedade Polonesa Águia Branca. Além das matérias do currículo normal, enfatizam a Educação Artística, organizando, inclusive, um curso especial de Desenho e Pintura. Paralelamente, Ricardo leciona a disciplina de Desenho no curso noturno Silva Pais, no Colégio Estadual Ramos Júnior. Também participa – com certa regularidade – do movimento artístico gaúcho, tendo seu nome incluído no 1º Salão de Arte do Rio Grande do Sul. Diante dos excelentes resultados obtidos na cidade do Rio Grande, o Consulado da Polônia no Paraná convida, em 1939, o casal Koch para dirigir um internato em Curitiba, também mantido pela sociedade polonesa. Localizado na Rua Carlos de Carvalho – onde mais tarde seria a Sociedade União Juventus (remanescente da Sociedade Polonesa) – destina-se a rapazes de origem polonesa que vêm do interior do Estado para estudar na capital. Embora os Koch não ministrem aulas dentro de um currículo formal, preocupam-se muito com um trabalho pedagógico, voltado para a arte-educação. Na época da Segunda Guerra Mundial, com a nacionalização das escolas, decretada por Getúlio Vargas e a suspensão dos honorários pagos pelo Governo Polonês, sobrevêm tempos difíceis. O Internato é transformado em uma pensão aberta a todos os estudantes. Para que a família possa sobreviver, Ricardo executa plantas para J. Ficinsky e outros engenheiros, montando, paralelamente, um pequeno estúdio de fotografia. Não obstante as dificuldades, a pintura não é esquecida. De 1939 a 1949, Ricardo faz oito exposições individuais em Curitiba, Blumenau/SC, Rio de Janeiro/RJ, Pelotas/RS, Porto Alegre/RS e São Paulo/SP; também realiza, em parceria com sua esposa, uma mostra de aquarelas. A atuação dos Koch como arte-educadores solidifica-se a partir de 1949, junto à rede oficial de ensino, contando com o apoio de Erasmo Pilotto. Neste mesmo ano, Ricardo é convidado pela Direção do Colégio Estadual do Paraná a assumir, na qualidade de professor interino, três turmas do Curso Científico, na disciplina de Desenho. Em 1951, torna-se professor efetivo e, no ano seguinte, passa a lecionar no Instituto Politécnico Estadual. Por diversos períodos também atua como professor no Instituto Técnico de Química Industrial. De uma dedicação extraordinária, suas aulas acabam abrangendo todas as formas da expressão plástica. Ricardo Kock tem o dom de ensinar ciências exatas sem se distanciar da realidade em que o aluno está inserido, como no caso da geometria. Ao lado de Emma, mantém no colégio uma espécie de mini-estúdio que possibilita transmitir aos alunos do Ensino Médio tanto conhecimentos de composição no espaço como também técnicas de aquarela. Juntos, o casal supre a carência do sistema e deficiências do material de apoio inexistente – como slides e livros especializados – por meio de cartazes que eles próprios confeccionam às suas próprias expensas. Ainda fornecem tintas e papel para os alunos trabalharem. Com a Lei das Diretrizes e Bases, o prof. Ricardo Koch passa a lecionar Desenho da Anatomia Humana para o Curso de Ciências Biológicas. Quando Ernani Costa Straube assume a direção do Colégio Estadual do Paraná, em 1961, resolve fazer uma cobertura na parte superior do edifício. Desta adequação, resultam dois grandes salões: um deles destinados para a parte prática de Ciências Naturais e Laboratório de Ciências, enquanto o outro abriga o Atelier de Desenho e Pintura. Aos sábados pelas manhãs, reúne-se em torno dele um grupo de professores, entre os quais Leonilda Auricchio, Guilhermina Fernandes e Jorge Alberto Remez, e os alunos para pintar. Seu passatempo era retratar os alunos ou pessoas que por ali passam, presenteando-os com os retratos. Por contatos feitos com a TV Educativa do Rio de Janeiro, em 1969, o Colégio Estadual inicia, em caráter experimental, um circuito fechado de televisão. Ricardo, por dominar a área de desenho e ter sólidos conhecimentos de arte cênicas, é nomeado coordenador de Recursos Audiovisuais. Para fixação dos conteúdos, a partir dos releases de aulas elaborados por professores especializados em cada área, são feitas ilustrações. Em 1969, o prof. Ernani Costa Straube encarrega Ricardo de fazer um retrato  de Manoel da Fonseca Lima e Silva - o Barão de Suruí, que na qualidade de Presidente da Província de São Paulo cria o Colégio Estadual. A partir de uma gravura e de um valioso auxílio do Arquivo Nacional, Koch consegue executar o retrato comemorativo ao seu primeiro centenário de falecimento, que hoje encontra-se na Pinacoteca do Colégio. Atingido pela compulsória, em 1972, aposenta-se. Fica evidente ao longo de sua atuação como arte-educador que não se limita a transmitir os conhecimentos científicos, demonstrando grande preocupação em humanizar a sociedade. O artista traz para o seu ambiente da pintura o mesmo tipo de companheirismo que mantém no decorrer de sua vida. Freqüentemente reúne um grupo de amigos para pintar á plain air ou fazer excursões para o litoral. Durante anos, Freyesleben torna-se seu companheiro. Embora sobre Ricardo Koch paire o estigma de artista acadêmico, uma análise mais profunda de sua obra revela-o um naturalista lírico, capaz de atingir uma rara espontaneidade, sobretudo nas manchas obtidas com aquarela. Ao longo de sua produção, ele consegue – principalmente nas paisagens – superar o caráter documental e técnico, para atingir o registro emocional da natureza, aproximando-se, por vezes, dos Macchiaioli. Suas paisagens urbanas registram cenas de Curitiba, como a Praça Tiradentes e, sobretudo, os arredores. Inscrevendo-se entre os paranistas, em grande parte da sua produção capta cenas dos pinheirais do planalto paranaense, sendo constante o contraste da verticalidade das árvores com a horizontalidade do primeiro plano – em geral alagados, mangues, ou relva – e a sensação da perspectiva aérea criada pela espacialidade do céu ao fundo, que empresta ao conjunto um interesse especial que, ao agir como contraponto, remete o espectador à sensação planimétrica enunciada no primeiro plano. O cromatismo, ao mesmo tempo vibrante e sutil, é capaz de dar a sensação da névoa e da superfície espelhada das águas. Aliás, fascinado pela água, grande parte da sua produção volta-se para cenas do litoral, onde a presença do mar e do céu com a turbulência das ondas e nuvens e a verticalidade de elementos como: as personagens – em geral pescadores – coqueiros e outras árvores litorâneas, igrejas, casas e também barcos, em geral, em diagonal, que transmitem à cena uma sensação dinâmica. Os morros surgem com freqüência, ajudando, com sua curvatura, a quebrar a monotonia das horizontais. A magia lírica das suas marinhas, bastante espontâneas, dá ao espectador a dimensão da simplicidade e do seu misticismo. Nos retratos, evidencia-se o equilíbrio da composição, o cromatismo discreto e a capacidade de captar a semelhança do modelo. O Retrato de Dina é uma das suas obras mais conhecidas no gênero. Embora sem o arrojo das suas últimas manchas de paisagens, o artista consegue dar a alguns de seus retratos – como Japonesa, Chinesa com Leque – uma vibração pós-impressionista dentro de uma fatura mais livre. Embora contrariando a “arte oficial”, não escapa à perspicácia do crítico de arte Nelson Luz a qualidade da sua obra no VII Salão Paranaense. “Sadako”, de Ricardo Koch, trabalho de boa sensibilidade, moderno, equilibrado, incontestavelmente o melhor Retrato do Salão deste ano, comenta. Em 1988 o MAC-PR organiza uma mostra retrospectiva em homenagem ao casal que tanto se dedica à educação criadora de crianças e adolescentes paranaenses.

Individuais: Galeria de Arte da Casa das Molduras, Porto Alegre/RS, 1945. Galeria Nigri, São Paulo/SP, 1945. Hall do Grande Hotel, Pelotas/RS, 1946. Galeria Itá, São Paulo/SP, 1950. Flora Paraná, Curitiba/PR, sd.

Salões e premiações: “Salão Capanema”, Rio Grande/RS, 1937 – Menção Honrosa. “1º Salão de Belas Artes do IBARS” – Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS, 1939. VI e VII Salão Paranaense de Belas Artes” – Pavilhão de Educação Física do IEP/DC/SEC, Curitiba/PR, 1949 e 1950 – Menção Honrosa no VI. “II, III, IV, V, VI, VII e VIII Salão de Belas Artes da Primavera” – Clube Concórdia, Curitiba/PR, 1949, 1950, 1951, 1953, 1954 e 1955 – Menção Honrosa no II e Medalha de Bronze no IV. “VIII e IX Salão Paranaense de Belas Artes” – Sala de Exposições do DC/SEC, Curitiba/PR, 1951 e 1952. “2.º Salão de Maio” – Centro Cultural Inter-Americano/APA, Curitiba/PR, 1951. “1º Salão de Maio” – Sala de Exposições do Departamento de Cultura/NAP, Curitiba/PR, 1952. “X Salão Paranaense de Belas Artes” – Exposição Internacional do Café/SEC, Curitiba/PR, 1953. “XI Salão Paranaense de Belas Artes” – Sala de Exposições da BPP/DC/SEC, Curitiba/PR, 1954. “1.º Salão da Cidade” – Câmara Municipal, Curitiba/PR, 1955.

Mostras conjuntas: “Aquarelas” (Com Emma Koch) – Salão Municipal/Edifício Garcez, Curitiba/PR, 1944. (Com Emma Koch) Galeria Nigri, São Paulo/SP, 1945.

Coletivas: “Grande exposição de Bellas Artes – em Comemoração ao 1.º Centenário da Cidade de Rio Grande” - Societá Italiana Mutua Cooperazione, Rio Grande/RS, 1935 – Diploma de Honra. Galeria da Casa das Molduras, Porto Alegre/RS, 1947. Pelotas/RS, 1948. “Arte-Paraná” (Itinerante), Paranaguá/PR, Curitiba/PR, 1948. Galeria da Gazeta do Povo, Curitiba/PR, 1949. “Exposição Permanente de Artistas Paranaenses” – Sala de Exposições do Departamento de Cultura/SEEC, Curitiba/PR, 1952. “Exposição Coletiva de Artistas Paranaenses” – Galeria de Arte Cocaco, Curitiba/PR, 1972. “II Feira das Bandeiras/Mostra de Artistas Paranaenses” – Saguão do Grande Auditório do Teatro Guaira/SEC, Curitiba/PR, 1973.

Exposição póstuma: “Panorama da Arte no Paraná II - Discípulos de Andersen e Artistas Independentes” – Sala de Exposições do BADEP, Curitiba/PR, 1976. “Pinturas de Emma e Ricardo Koch” – Sala de Exposições do BADEP, Curitiba/PR, 1977 – Mostra Retrospectiva. SH316 Galeria de Arte, Curitiba/PR, 1979 e 1980. “Tradição e Contradição” – MAC-PR/SECE, Curitiba/PR, 1986. “Três Gerações” – Nini Barontini Galeria de Arte, Curitiba/PR, 1987. “Emma e Ricardo Koch – Arte-Educadores e Artistas Plásticos” – MAC-PR/SEEC, Curitiba/PR, 1988 – Mostra Retrospectiva. “O Auto Retrato na Pintura Paranaense” – MAP-SEC, Curitiba/PR, 1989. “Aquarelas – Emma Koch e Ricardo Koch – Exposição Memória Cultural, Créditos aos Aquarelistas Paranaenses” – Faculdade Santa Marcelina, São Paulo/SP, 1990. “Gerações de Arte – Ricardo J Koch, Emma Koch, Tereza Koch e Zig Koch” – Museu Universitário da PUC-PR, Curitiba/PR, 1996. “A Paisagem Paranaense & Seus Pintores” – CAM/SEEC, Curitiba/PR, 2001.

Concurso: “Concurso Shell de Auxiliares Visuais Gráficos para o Ensino” – Instituto de Educação do Estado da Guanabara, Rio de Janeiro/GB, 1968 – Menção Honrosa.

Participações em comissões julgadoras: “4.º Salão de Artes Plásticas para Novos” – BPP/DC/SEC, Curitiba/PR, 1960. “1.º Festival Nacional de Arte Colegial” – Colégio Estadual do Paraná, Curitiba/PR, 1970 .

Homenagem: “Projeto Artistas do Mês” – MAA/SEEC, Curitiba/PR, 1996.

Obras em acervos: CENTRO DE LETRAS DO PARANÁ: 1956, Curitiba/PR. PINACOTECA DO COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ: “Retrato de Manoel Fonseca Lima e Silva, Barão de Surui” (1969, óleo sobre tela), 1969, Curitiba/PR.

Referências bibliográficas:

LUZ, Nelson. O VII Salão Paranaense. O Dia. Curitiba, 28 dez. 1950.

PARANÁ, Secretaria de Estado da Cultora. Emma e Ricardo Koch; arte-educadores e artistas plásticos. Curitiba, .1988. 66 p.



Atualizado em - 25/03/2015 13:58:14
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