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BACK, Sylvio Carlos (Sylvio Back)

Blumenau/SC,  1937.

Cineasta, escritor, crítico de cinema e poeta. Filho de imigrantes, pai húngaro e mãe alemã, passa a infância em Antonina/PR. Já vivendo em Curitiba/PR, em 1959 começa a atuar como jornalista, atividade que exerce por nove anos, em detrimento do curso de Ciências Econômicas da UFPR. Escreve coluna diária sobre cinema. Estréia na direção cinematográfica em 1962, com o curta-metragem As Moradas. Na década de 1960, funda e preside o Clube de Cinema do Paraná. Entre 1965 e 1966, escreve e dirige os média-metragens Os Imigrantes e Curitiba, Amanhã, além dos curta-metragens Grande Feira e Vamos nos Vacinar. Em 1968 roda seu primeiro longa-metragem, Lance Maior, em parceria com Nelson Padrella e Oscar Milton Volpini, no argumento e roteiro. Este filme coloca o Paraná no mapa cinematográfico do País. Entre 1967 e 1969 aproxima-se do teatro com a criação de curta-metragens para as peças Schweyk na II Guerra Mundial e O Livro de Cristóvão Colombo, produzidas pelo Teatro Guaíra. Em co-produção com a Servicine, de São Paulo, lança em 1971 A Guerra dos Pelados, adaptação do romance Geração do Deserto, de Guido Wilmar Sassi. O tema trata do conflito de terras ocorrido na fronteira entre o Paraná e Santa Catarina e rende diversos prêmios, entre eles o Governador do Estado (São Paulo); Prêmio de Qualidade, do Instituto Nacional do Cinema; Menção Honrosa na III Semana Internacional de Cinema de Autor, em Málaga/Espanha, além de ser apontado pelo jornal Folha de S. Paulo como o melhor filme brasileiro do ano, exibido na cidade e selecionado para o Festival de Berlim/Alemanha. Em 1973, produz o documentário média-metragem A Gaiola de Ouro, para a série Globo Shell Especial, da TV Globo, premiado no I Festival Nacional de Curta-Metragem da Aliança Francesa, do Rio de Janeiro, com o Prêmio Helena Silveira e o troféu Amiga de melhor programa de TV do ano. Em 1974 filma Curitiba, Uma Experiência em Planejamento Urbano. Paralelamente, coordena no Paraná dois festivais nacionais de filmes Super-8 e dirige seu primeiro filme nessa bitola, O Semeador. Em 1976 roda Aleluia, Gretchen, numa co-produção com a Embrafilme, que em dois anos rende 15 prêmios nacionais, entre eles o Air France, Golfinho de Ouro, APCA, Festival de Gramado, além de ser selecionado para os festivais internacionais de Chicago/EUA, Mannheim/Alemanha e Berlim. É o filme mais premiado da década. Em 1978, o documentário Um Brasil Diferente? é premiado pela Embratur como o melhor filme de turismo. O média-metragem República Guarani, com pesquisa e roteiro de Deonísio Silva, chega às telas em 1979. Sylvio Back fecha a década de 1970 contabilizando mais de uma centena de filmes comerciais produzidos para TV entre Paraná e São Paulo. Em 1980, finaliza o longa-metragem A Revolução de 30 e o média metragem 1930, a Revolução que Mudou o Brasil, ambos resultados de sua pesquisa sobre os acontecimentos da época. Em 1981, em co-produção da UFPR e Universidade de Freiburg/Alemanha, roda o média-metragem A Araucária: Memória em Extinção que recebe, em 1983, o Prêmio Embrafilme, na XIV Mostra Internacional do Filme Científico, e, em 1984, o Prêmio Osiris, da FAO, no XIII Concurso Internacional do Filme Agrícola de Berlim e Prêmio Filme Brasileiro de Curta-Metragem, do Conselho Nacional do Cinema, em 1984. O longa-metragem República Guarany conquista, em 1982, os prêmios de Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro no XV Festival de Cinema de Brasília e o Prêmio São Saruê do Conselho Nacional de Cineclubes. Também é desse ano o média-metragem Vida e Sangue de Polaco. Em 1983, lança Vida e Sangue de Polaco, com apoio da SEEC. O filme é premiado no XV Festival de Gramado e no XVI Festival de Cinema de Brasília, além de competir no VI Festival Internacional do Filme Etnográfico e Sociológico, em Paris. Em 1984, em parceria com Nelson Padrella (pesquisa e roteiro) produz o média O Auto-Retrato de Bakun. Nesse filme, o cineasta declara ter concretizado um projeto solitário, que remonta a 1965, dois anos após o suicídio do pintor paranaense e presta uma homenagem a todos aqueles que viveram e vivem na província a mesma carga de indiferença e marginalização, patrimônio cotidiano de Bakun. Conquista o prêmio Glauber Rocha de Melhor Filme na XIII Jornada Brasileira de Curta-Metragem em Cachoeira/BA, Menção Especial do Júri no I Festival Internacional de Cinema, Televisão e Vídeo do Rio de Janeiro e Melhor Fotografia no I Festival de Cinema de Caxambu. Guerra do Brasil, de 1987, que aborda o conflito entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, no século XIX, é premiado em diversos festivais; ensaios Pensar es Insalubre – A Polêmica Sobre as Missões Jesuíticas. Em 1991 lança Rádio Auriverde, documentário que consumiu dois anos de pesquisas. O cineasta garimpa imagens, em arquivos de museus dos Estados Unidos e Europa, sobre a presença militar brasileira no front italiano durante a Segunda Guerra Mundial. É um rastilho de pólvora: o filme gera enorme polêmica por desmistificar a imagem dos pracinhas. Back defende-se: Mexer no passado não e um cometimento agradável a países como o nosso que se nutre do imediato, da amnésia e do descartável para obscurecer seu imaginário e ocultar suas origens anímicas, recentes e remotas, muitas vezes condenáveis. Premiado em Natal/RN e selecionado para os festivais de Brasília e Gramado. Em 1992 produz A Babel da Luz, curta-metragem sobre a poetisa paranaense Helena Kolody, que conquista o prêmio de Melhor Filme e Melhor Montagem no XXV Festival de Brasília e Melhor Curta-Metragem segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. É de 1995 Yndio do Brasil, documentário premiado na XXII Jornada Internacional de Cinema da Bahia, no XXVI Festival de Figueira da Foz/Portugal, no 100 Fest Cine de Florianópolis/SC, além de ser selecionado para festivais de Gramado, Havana, Uruguai, Santa Fé/EUA, Innsbruck/Áustria, Rotterdam/Holanda, Oslo/Noruega, Mar del Plata/Argentina, Fórum do Festival de Berlim/Alemanha, Trieste/Itália. Nesse ano lança também o documentário – média-metragem – Morte em Cena, enfocando o filósofo Stefan Zweig. Em 1997 produz Making-off Curitiba, com participação de artistas paranaenses. Em 1999, volta novamente suas lentes para o duplo suicídio de Zweig e sua esposa Lota, em Lost Zweig, baseado no livro ‘Morte no Paraíso”, de Alberto Dines. No final desse ano lança em Florianópolis/SC o filme Cruz e Sousa – O Poeta do Desterro, rodado inteiramente naquela cidade. Uma coleção inédita, enfeixando 14 títulos da obra de Sylvio Back, é lançada em 2001. Intitulada Cinemateca Sylvio Back, a caixa reúne longas, médias e curtas do diretor, representando mais de 30 anos dedicados ao cinema.

Filmografia: “As Moradas” (1964). “Os Imigrantes”, “Curitiba, Amanhã”, “A Grande Feira”, “Festival”, “Vamos nos Vacinar” (1965-1966). “Schweyk na 2.ª Guerra Mundial”, “O Livro de Cristóvão Colombo” (1967-1969). “Lance Maior” (1968). “A Guerra dos Pelados” (1971). “A Gaiola de Ouro” (1973). “O Semeador” (1974). “Curitiba, uma Experiência em Planejamento urbano” (1975). “Aleluia Gretchen” (1976). “Teatro Guaira” (1976). “Mulheres Guerreiras” (1977). “Um Brasil Diferente”, “Crônica Sulina” (1978). “República Guarani” (1979). “Revolução de 30”, “Sete Quedas” (1980). “Jânio 20 Anos Depois”, “A Araucária: Memória da Extinção”(1981). “A Escala do Homem”, “Vida e Sangue de Polaco” (1982). “O Auto-Retrato de Bakun” (1984), “Guerra do Brasil” (1987). “Rádio Auriverde” (1991). “A Babel da Luz” (1992). “Yndio do Brasil”, “Zweig: A Morte em Cena” (1995). “Cruz e Souza: o Poeta do Desterro” (1999). “Lost Zweig” (2003).

Participações e premiações: “4.º Festival de Cinema de Brasília” 1968 – prêmio.  “1.º Festival de Cinema de Garujá”, 1971 – prêmio. “Segunda Semana Internacional do Filme de Autor”, Málaga/Espanha, 1971. “I Festival Nacional de Curta Metragem. Aliança Francesa”. Rio de Janeiro/RJ, 1973 – prêmio. “Prêmio EMBRATUR” - melhor filme de turismo do ano, 1978. Prêmio Brasileiro de Curta-Metragem CONCINE”, 1980,1984,1989. “Concurso de Filmes sobre Turismo, EMBRATUR/EMBRAFILME”, 1980. – prêmio. “15.º Festival de Cinema de Brasília, 1982” – prêmio. “Prêmio São Saruê” – Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro,  1982. “15.ª Mostra Internacional do Filme Científico/83” – prêmio Osiris. “13.º Concurso Internacional do Filme Agrícola”, Berlim/Alemanha, 1984 – prêmio.  “Prêmio ACCMG”  - prêmio melhor documentário, 1984. “2.º Festival Latino-americano de Cinema dos Povos Indígenas”. Rio de Janeiro/ 1987. “Filme Brasileiro de Curta-metragem” Fundação do Cinema Brasileiro/1989 – prêmio.  “11.º Festival de Cinema de Gramado/83” – prêmio. “16.º Festival de Brasília/83” prêmio.  “6.º Festival Internacional do Filme Etnográfico e Sociológico (Cinéma du Réel)”, Paris/França, 1984. “13.ª Jornada Brasileira de Curta-metragem” , Cachoeira/BA/1984. – prêmio. “1.º Festival Internacional do Cinema, Televisão e Vídeo”.  Rio de Janeiro/1984 – Menção Especial do Júri.  “Festival de Cinema de Caxambu/MG, 1984” – prêmio. “3.º Rio-Cine Festival/1987” – prêmio especial do júri. “1.º e 4.º Festival de Cinema de Natal/1987, 1991” – prêmio. “9.º Festival Internacional Del Nuevo Cine Latino Americano de La Havana/Ccuba, 1987 – prêmio. “25.º Festival de Brasília/1992” – prêmio.  “Melhor Curta-metragem de 92 – Margarida de Prata”, CNBB.  “22.ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia/1995”. – prêmio. “FESTCINE 100”, Florianópolis/SC, 1997 – prêmio especial do júri.

Obras publicadas: 7 de Amor e Violência. Curitiba: edição do autor, 1966. Um Cinema Polêmico (ensaio). Curitiba: Editora Cinema de Arte Riviera, 1997. Cinema Paranaense? Curitiba: edição do autor, 1968. Lance Maior. Curitiba: Fundação Cultural, 1975. Aleluia, Gretchen (roteiro). Curitiba: Fundação Cultural, 1976. Aleluia Gretchen (roteiro). Porto Alegre: Movimento, 1978 – 2.ª edição. Sete Quedas (roteiro). Curitiba: Casa Romário Martins, 1980. República Guarani (roteiro). Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 1982. Vida e Sangue de Polaco (roteiro). Curitiba: Umuarama, 1982. O Auto Retrato de Bakun (roteiro). Curitiba: Umuarama, 1985. O Caderno Erótico de Sylvio Back (poemas). Belo Horizonte: Tipografia Fundo de Ouro Preto, 1986. Por um Cinema Desideologizado. Curitiba: Casa Romário Martins, 1987. Moedas de Luz. São Paulo: Max Limonad, 1988. Pensar es Insalubre (ensaios). Rio de Janeiro: Imago, 1989. No Cinema Inoculado. Curitiba: Umuarama, 1990.  Filmes noutra Margem. Curitiba: SEEC, 1992.  A Guerra do Brasil. (Cadernos Cineamericanidad, n.º 5). Curitiba: Fundação Cultural, 1992.  A Vinha do Desejo (poemas). São Paulo: Geração Editorial, 1994.  Yndio do Brasil (poemas). Ouro Preto:  Nonada, 1995.  It’s All Brasil (ensaio).  São Paulo: Fundação Memorial da América Lantina, 1995. Boudoir. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1999.

Referências

ASSEF, Marco Antonio. Histórias nada oficiais. O Estado do Paraná, Curitiba, 12 abr. 1991.

BACK, Sylvio. Que Lance Maior? O Estado do Paraná, Curitiba, 26 maio 1992.

BACK, Sylvio. Nas Ondas da Rádio Auriverde. O Estado do Paraná, Curitiba, 29 jun. 1994.

PAREJA, Luciana. Coleção de vídeos reúne obra de Sylvio Back. Folha de Londrina, Curitiba, 19 abr. 2001.



Atualizado em - 24/03/2015 14:25:01
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